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OS TRATAMENTOS SUGERIDOS NÃO DISPENSAM A INTERVENÇÃO DE TERAPEUTA OU MÉDICO ASSISTENTE.

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sábado, 24 de Abril de 2010

GUILLAUME APOLLINAIRE - LORELEY






Em Bacharach havia uma feiticeira loira tão bela
Que os homens ficavam loucos só de olhar para ela

O bispo perante o tribunal a fez comparecer
Embora já a tivesse decidido absolver

Os teus olhos são como safiras oh bela Loreley
A que mágico roubaste essa magia ou a que rei

Os meus olhos são malditos Estou cansada de viver
Quem por mim se apaixona acaba por morrer

Não são safiras os meus olhos Se me amas
Lançai-me lançai-me com o meu feitiço às chamas

Oh bela Loreley como é que te posso condenar
Se pelos teus olhos me deixei enfeitiçar

Mandai matar mandai matar a bela Loreley
Que Deus vos perdoe que eu já vos perdoei

O meu amante partiu para além do oceano
Mandai-me matar porque só a ele eu amo

Desde que o meu amante partiu que me dói o coração
Os meus olhos tornaram-se uma maldição

Chegaram três cavaleiros cavalgando ao vento
O bispo ordenou-lhes que a levassem para o convento

Vai Loreley vai loira feiticeira
A partir de agora serás uma freira

E lá foram os quatro pela estrada fora
Os olhos de Loreley brilhavam mais que a aurora

Cavaleiros deixai-me subir àquele rochedo
Quero ver uma vez mais o meu belo castelo

Quero contemplar o meu rosto no rio uma vez mais
Pouco me importa depois para onde me levais

Lá no cimo o vento enrolava os seus cabelos
Loreley Loreley gritavam os cavaleiros

No Reno via-se um escaler ainda distante
Eu sei que lá dentro vem o meu amante

É o meu amante que chama Acabou-se a mágoa
Ela debruça-se então e cai na água

Por ter visto no Reno a bela feiticeira
Os olhos como safiras a sua loira cabeleira

Tradução de Jorge de Sousa Braga

terça-feira, 20 de Abril de 2010

BULIMIA - TRATAMENTO HOMEOPÁTICO




Fazer o diagnóstico diferencial entre os seguintes medicamentos:
ANACARDIUM ORIENTALE;
ANTIMONIUM CRUDUM; e
SULPHUR.

Para o primeiro » 6 CH - 3 gotas de manhã.
Para o segundo » 5 CH - 3 gotas antes de cada refeição.
Para o terceiro » 9 CH - 1 dose semanal.

JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org

domingo, 18 de Abril de 2010

NATHAN ZAKH (1930) - DIZEM







Aquele que tropeçou, tropeçou
dizem
que aquele que traiu traiu
dizem
que aquele que está só está só
dizem
que aquele que esqueceu esqueceu
dizem
que aquele que não está contigo
dizem que se foi embora
dizem que esqueceu.

Tradução de Cecília Meireles

HADEWIJCH DE ANTUÉRPIA (séc. XIII) - POEMAS ESPIRITUAIS







I

Por mais tristes que estejam a estação e as avezinhas,
não pode está-lo o nobre coração.
Mas quem quiser afrontar os trabalhos de Amor
d´Ele só terá de aprender
- doçura e crueza,
alegria e dor –
o que é preciso experimentar para amar.


II

As almas orgulhosas que cresceram na dilecção
e sabem amar sem que nada as acalme,
devem ser em todos os tempos
fortes e ousadas,
sempre prontas a receber
consolo ou aflição
por bem de Amor apenas.


III

Estranhas são as vias do Amor:
e bem o sabe quem as quer seguir:
muitas vezes ele perturba o coração seguro:
quem ama não encontra constância.
Aquele a quem a Caridade
toca no fundo da alma
conhecerá muita hora de desolação.


IV

Ora ardendo, ora frio,
agora tímido e ainda há pouco ousado,
numerosos são os caprichos do Amor.
Mas a toda a hora ele nos lembra
a nossa imensa dívida
para com o seu alto poder,
que nos atrai e só a Ele nos destina.


V

Ora gracioso, ora terrível,
agora próximo e ainda há pouco distante:
para quem o conhece e nele confia
isto mesmo é alegria maior.
Como Amor
num só acto
fere e abraça!


VI

Ora humilhado, ora exaltado,
agora escondido, manifesto ainda há pouco,
para se ser um dia atingido pela dilecção
é preciso arriscar muita aventura –
antes de alcançar
aquele ponto em que se desfruta
da pura essência do Amor.


VII

Ora leve, ora pesado,
sombrio agora e claro ainda há pouco,
na doce paz, na sufocante angústia,
dando e recebendo –
dupla vida,
serve aos espíritos
que se perdem no amor.


Tradução de João Barrento

PABLO NERUDA (1904-1973) - UNIDADE





Há algo denso, unido, sentado no fundo,
a repetir seu número, seu sinal idêntico.
Como se nota que as pedras tocaram o tempo,
em sua fina matéria há um olor a idade,
e à água que traz o mar, de sal e sonho.

Rodeia-me uma mesma coisa, um movimento único:
o peso do mineral, da luz, do mel,
colam-se ao som da palavra noite:
a tinta do trigo, do marfim, do pranto,
as coisas de couro, de madeira, de lã,
envelhecidas, debotadas, uniformes,
unem-se em meu redor como paredes.

Trabalho surdamente, a girar sobre mim mesmo,
como o corvo sobre a morte, o corvo de luto.
Penso, isolado na extensão das estações,
central, cercado por uma geografia silenciosa:
uma temperatura parcial cai do céu,
um extremo império de confusas unidades
reúne-se a cercar-me.

ZUNHIS (AMÉRICA DO NORTE) - IMPLORANDO O SOPRO






Implorando o sopro do ser divino,
o sopro que dá a vida,
o sopro de muita idade,
o sopro das águas,
o sopro das sementes,
o sopro da fecundidade,
o sopro da abundância,
o sopro do poder,
o sopro da força,
o sopro de todas as espécies de sopro,
pedindo o seu sopro,
inspirando o seu sopro no calor do meu corpo,
incorporo o seu sopro
para que vivas sempre luminosamente.

Versão de Herberto Helder

sábado, 17 de Abril de 2010

ISSA KOBAYASHI (1763-1827) - SUBITAMENTE...





Subitamente
O cão pára de latir –
Lótus em flor

SÓ MORRE QUEM NÃO TEM UM CORAÇÃO PARA MORAR






Deixo que meus olhos vejam as árvores em movimento
São apenas árvores em movimento em vaivém ao luar
Árvores que movimentam o meu pensamento
Numa sem-direcção enquanto suave a noite cai

Cuido de ti amigo
Como quem cuida da criança amada

Sem desejos nem projectos
É longa a oração –
Penitência-sem-destino

Cuido de ti amigo
Como quem cuida a amar

Queres estar
Apenas estar
Quente e em paz
Só e acompanhado
Sem palavras vãs
Sem mais nada ter
Queres estar
Simplesmente estar
Simplesmente ser

Cuido de ti amigo
Como cuida o Amar

Chegado o momento como é difícil decidir
Poderei deixar-te partir para a bonança
Se no teu modo de pensar ainda restar esperança
Se no teu jeito de pedir nesta terra te queres quedar

Vai Vai no teu jeito de olhar que nunca mais verei
Vai e se errei perdoa a minha fraqueza
Mas aguarda por mim no alto da montanha

Só morre quem não tem um coração onde morar

Entretanto cuidarei de ti amigo
Bem dentro no mais profundo da minha alma
E saberei que não morrerás jamais

sexta-feira, 16 de Abril de 2010

TOON TELLEGEN (1941) - EU PODIA ESCOLHER






Não tinha ideia.
Escolhi a paz.

A verdade e a beleza
deixei-as ir,
e também a sageza e a nostalgia –
até o amor,
que tão embevecido me olhava,
negras nuvens com ele se deslocavam.

Paz, era paz.
E nos recônditos da minha alma
dançavam seres
de que nunca tinha sequer ouvido!

E no céu pendia um outro sol.

Tradução de Fernando Venâncio

SALVATORE QUASIMODO (1901-1968) - CADA UM ESTÁ SÓ SOBRE O CORAÇÃO DA TERRA






Cada um está só sobre o coração da terra
Trespassado por um raio de sol:
E de repente é noite.

Tradução de Ernesto Sampaio

LUÍS VEIGA LEITÃO (1915-1987) - BEL






Hálito de terra depois da chuva:
cálida ternura
aflorando
do lábio

Teu corpo
leveza que pesa
um saber sábio
secreto
da Natureza

Por isso os bichos te amam
em suas falas naturais:
os felinos
os caprinos
e os poetas – bichos marginais

SHUNZEI (1114-1204) - SERÁ ALGUÉM UM DIA





Será alguém um dia
levado a pensar em mim
pelo cheiro de laranjeiras
quando eu também já for
«alguém há muito tempo»?

Tradução de Stephen Reckert


TYMOTEUSZ KARPOWICZ (1921) - UMA LIÇÃO DE SILÊNCIO







Quando uma borboleta
Batia suas asas
Forte de mais, gritavam-lhe:
Silêncio, por favor!

Se um pássaro assustado
Roçava a pluma num
Raio de sol, gritavam-lhe:
Silêncio, por favor!

Assim os elefantes
Aprenderam a andar
Sem som sobre o tambor –
Os homens, sobre a terra.

As árvores nos campos
Se erguiam silenciosas
Como os cabelos quando
Se eriçam de terror.

Tradução de Nelson Ascher

HO CHIH CHANG (659-744) - O REGRESSO



Jovem, saí de minha casa, velho, regressei a ela.
Minha pronúncia é a mesma,
Só minhas têmporas estão grisalhas!
Meus filhos olham-me sem me reconhecerem
E perguntam de onde vem o estrangeiro.

Tradução de Luís Pignatelli

FRANTISEK HALAS (1901-1949) - VERSOS







Tão cego
apesar da felicidade da vista
tão surdo
apesar do privilégio do ouvido

Uma folha ao vento só tu na romanza
o pássaro na rede Na chuva um cantar
um verme na rosa na esperança uma armadilha
lágrimas na garganta Nas tuas palavras sangue

Tão cego
apesar da felicidade da vista
tão surdo
apesar do privilégio do ouvido


Tradução de Ernesto Sampaio


MENG HAO JAN (689-740) - AMANHECER PRIMAVERIL





Meu sono primaveril esqueceu a aurora –
Já de toda a parte as aves cantam.
O vento e a chuva pelejaram esta noite –
Quem sabe agora quantas flores tombaram?

Tradução de José Blanc de Portugal

ARTHUR RIMBAUD (1854-1891) - ADEUS








Sim, ao menos a hora nona é severíssima.
Posso dizer que tenho a vitória adquirida: o ranger de dentes, os silvos de fogo, os suspiros pestilentos abrandaram. Todas as memórias imundas se apagam. Vispam-se os meus últimos remorsos, - ciúmes dos mendigos, dos salteadores, dos amigos da morte, dos ignaros de toda a sorte. – Malditos, se eu me vingasse!
Temos de ser modernos absolutos.
Cânticos nunca: manter o passo adquirido. Dura noite! O sangue seco fumeia no meu rosto, e nada atrás de mim, só a arvorezinha horrível!... O combate do espírito é tão brutal como batalha de homens; mas a visão da justiça é prazer só de Deus.
Vigília, no entanto. Recebamos todos os influxos de vigor e de ternura autêntica. E pela aurora, armados com ardente paciência, entraremos na cidade esplêndida.
Falava eu de mão amiga! Um bom proveito, é poder rir-me das velhas afeições enganosas, e ferrar de vergonha esses casais de engano, - eu vi aquele inferno das mulheres; - e ser-me-á dado “possuir a verdade dentro de uma alma e num corpo”.


Tradução de Filipe Jarro

GUILLAUME APOLLINAIRE - O CANTO DO AMOR







Eis de que é feito o canto sinfónico do amor
Há o canto do amor de outrora
O ruído dos beijos perdidos dos amantes ilustres
Os gritos de amor das mortais violadas pelos deuses
As virilidades dos heróis fabulosos erguidas como peças antiaéreas
O uivo precioso de Jasão
O canto mortal do cisne
O hino vitorioso que os primeiros raios de sol
fizeram cantar a Mémnon o imóvel
Há o grito das Sabinas ao serem raptadas
Há ainda os gritos de amor dos felinos nas selvas
O rumor surdo da seiva trepando pelas plantas tropicais
O troar das artilharias que coroa o terrível amor dos povos
As ondas do mar onde nasce a vida e a beleza

O canto de todo o amor do mundo


Tradução de Jorge Sousa Braga

MARIÀ MANENT (1898-1988) - LOUVAÇÃO DO BARRO








Cantarei o barro, porque nele esteve a vida
e este sangue que ferve em nosso corpo.
Meus olhos de barro pressentem o repouso
e o clarão imortal de uma outra vida.

Cantarei o barro porque foi amassada
a nossa carne do barro inconsistente
e na argila curtida e inanimada
o sopro de Deus entrou como a semente.

Tradução de João Cabral de Melo Neto

FRANCO FORTINI (1917-1995) - PARA AS OBRAS DE ISAAC BABEL







Se não sabem punir,
se não sabem queimar
aquela parte de vós,
aquela parte de nós
mesmos, que ficou muda;
se não sabeis dizer
porque deixámos morrer
Babel e os mais; ou quem em nós calou
vinte anos a sua boca;

não falem, não escrevam
prefácios, não dourem
esses nomes com piedade.
Deixem a nossa verdade
imperfeita, humilhada

- entre a Revolução já passada
e aquela que virá.

Tradução de Jorge de Sena

YANG WAN-LI (1127-1206) - A CHUVA NA BANANEIRA






Como a bananeira está cheia de alegria ao receber a chuva!
O barulho, durante toda a noite, foi claro e agradável:
Ora sons ligeiros duma mosca embatendo num vidro de papel,
Ora estrépito potente de cascata precipitando-se das montanhas.

Com o tinido límpido dos pingos espaçados,
Calou-se todo o rumor nesta calma noite de Outono.
A bananeira está feliz, mas o homem triste:
Agradar-lhe-ia mais que o vento de oeste parasse
e que esta chuva cessasse.

Tradução de António Graça de Abreu

TONINO GUERRA (1920) - O BANHO DOS POBRES







Os pobres da minha terra
tomam banho no rio
e estão de molho na água
um dia inteiro.
Ali há muito ar muito sol muitos borrifos.
Voltam quando é noite
Encontram outra vez as velhas casas
com as cabeças dos gatos aos janelos
e toda a água nos cântaros represa.

Tradução de Alexandre O´Neill

JULIÁN DEL CASAL (1863-1893) - SONETO POMPADOUR






Amo o bronze, o cristal, as porcelanas,
Os vitrais de esfuziantes cores,
Tapeçarias pintadas de ouro e flores,
Espelhos como águas venezianas.

Amo também as belas castelhanas,
A canção dos antigos trovadores,
Os corcéis da Arábia, voadores,
Da Alemanha as baladas mais arcanas,

O rico piano de marfim sonoro,
O ressoar do corne na espessura,
Do frasco esguio a tão fragrante essência,

E o leito de marfim, sândalo e ouro,
Em que deixa a casta formosura
A flor sangrenta da sua inocência.


Tradução de José Bento

LAO PI (187-226) - O SEGUNDO DOS POEMAS SOLTOS





No Noroeste há nuvens flutuantes,
Erectas e altas como a coberta de um carro,
Oh, lamento não encontrar oportunidades,
Encontro-me por coincidência com o vento flutuante,
Que sopra o meu andar rumo a Sudeste,
Andando, andando, até Wuhui.
Wuhui não é a minha terra natal,
Como poderia eu permanecer lá por muito tempo?
Abandono-o silencioso,
O viajante tem sempre medo das pessoas.

Tradução de Li Ching

SEBASTIÃO ALBA (1940-2000) - NINGUÉM MEU AMOR



Ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Podem utilizá-lo nos espelhos
apagar com ele
os barcos de papel dos nossos lagos
podem obrigá-lo a parar
à entrada das casas mais baixas
podem ainda fazer
com que a noite gravite
hoje do mesmo lado
Mas ninguém meu amor
ninguém como nós conhece o sol
Até que o sol degole
o horizonte em que um a um
nos deitam
vendando-nos os olhos

JOSÉ BERGAMÍN (1895-1983) - «TRÊS SONETOS A CRISTO CRUCIFICADO EM FRENTE AO MAR»






Não te entendo, Senhor, quando te miro
frente ao mar, ante o mar crucificado.
Sós o mar e tu, na cruz ancorado,
ao mar dando teu último suspiro.

Não se entendo o que mais admiro:
que o mar cante estando Deus calado;
que brote a água, muda, em seu costado,
após morrer, de ferida sem respiro.

O mar ou tu me enganam, ao olhar-te
entre duas solidões, só à espera
de um mar de sede, que é de amor perdido.

Enganas-me tu ou o mar, ao contemplar-te,
celeste âncora em terra marinheira,
mortal memória ante imortal olvido?


Tradução de José Bento

MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS - ABREVIATURAS




ABIES-C - ABIES CANADENSIS-PINUS CANADENSIS
ABIES-N - ABIES NIGRA
ABR - ABRUS PRECATORIUS - JEQUIRITY (JEQUIRITY - ARBRUS PRECATORIUS)
ABROT - ABROTANUM
ABSIN - ABSINTHIUM
ACAL - ACALYPHA INDICA
ACET-AC - ACETICUM ACIDUM (ACETIC ACID)
ACETAN - ACETANILIDUM
ACON - ACONITUM NAPELLUS
ACT-SP - ACTAEA SPICATA (ACTEA SPICATA)
ADON - ADONIS VERNALIS
ADREN - ADRENALINUM (ADRENALIN)
AESC - AESCULUS HIPPOCASTANUM
AETH - AETHUSA CYNAPIUM
AETHI-M - AETHIOPS MINERALIS (AETHIOPS MERCURIALIS-MINERALIS)
AGAR - AGARICUS MUSCARIUS (AGARICUS MUSCARIUS-AMANITA)
AGAV-A - AGAVE AMERICANA
AGN - AGNUS CASTUS
AGRA - AGRAPHIS NUTANS
AIL - AILANTHUS GLANDULOSA
ALET - ALETRIS FARINOSA
ALF - ALFALFA
ALL-C - ALLIUM CEPA
ALL-S - ALLIUM SATIVUM
ALN - ALNUS RUBRA (ALNUS)
ALOE - ALOE SOCOTRINA (ALOE)
ALST-S - ALSTONIA SCHOLARIS
ALUM - ALUMINA
ALUM-SIL - ALUMINA SILICATA
ALUMN - ALUMEN
AM-BE - AMMONIUM BENZOICUM
AM-BR - AMMONIUM BROMATUM
AM-C - AMMONIUM CARBONICUM (AMMONIUM CARB)
AM-CAUST - AMMONIUM CAUSTICUM
AM-I - AMMONIUM IODATUM (AMMONIUM JODATUM)
AM-M - AMMONIUM MURIATICUM
AM-P - AMMONIUM PHOSPHORICUM
AM-PIC - AMMONIUM PICRICUM (AMMONIUM PICRATUM)
AM-VAL - AMMONIUM VALERIANICUM
AMBR - AMBRA GRISEA
AMBRO - AMBROSIA ARTEMISIAEFOLIA (AMBROSIA)
AMGD-P - AMYGDALUS PERSICA
AML-NS - AMYLENUM NITROSUM (AMYL NITROSUM)
AMMC - AMMONIACUM GUMMI (AMMONIACUM-DOREMA)
AMPE-QU - AMPELOPSIS QUINQUEFOLIA (AMPELOPSIS)
ANAC - ANACARDIUM ORIENTALE (ANACARDIUM)
ANAG - ANAGALLIS ARVENSIS (ANAGALLIS)
ANAN - ANANTHERUM MURICATUM (ANATHERUM)
ANEMPS - ANEMOPSIS CALIFORNICA
ANG - ANGUSTURA VERA
ANH - ANHALONIUM LEWINII (ANHALONIUM)
ANIL - ANILINUM
ANIS - ANISUM STELLATUM (ILLICIUM)
ANT-AR - ANTIMONIUM ARSENICOSUM
ANT-C - ANTIMONIUM CRUDUM
ANT-SAUR - ANTIMONIUM SULPHURATUM AURATUM
ANT-T - ANTIMONIUM TARTARICUM
ANTH - ANTHEMIS NOBILIS
ANTHRACI - ANTHRACINUM
ANTHRACO - ANTHRACOKALI (ANTHRAKOKALI)
ANTIP - ANTIPYRINUM (ANTIPYRINE)
AP-G - APIUM GRAVEOLENS
APHIS - APHIS CHENOPODII GLAUCI (CHENOPODI GLAUCI APHIS)
APIS - APIS MELLIFICA
APOC - APOCYNUM CANNABINUM
APOC-A - APOCYNUM ANDROSAEMIFOLIUM
APOM - APOMORPHINUM (APOMORPHIA)
AQUI - AQUILEGIA VULGARIS (AQUILEGIA)
ARAG - ARAGALLUS LAMBERTI
ARAL - ARALIA RACEMOSA
ARAN - ARANEA DIADEMA
ARB - ARBUTUS ANDRACHNE
AREC - ARECA CATECHU (ARECA)
ARG-MET - ARGENTUM METALLICUM
ARG-N - ARGENTUM NITRICUM
ARGE - ARGEMONE MEXICANA
ARIST-M - ARISTOLOCHIA MILHOMENS
ARN - ARNICA MONTANA (ARNICA)
ARS - ARSENICUM ALBUM
ARS-BR - ARSENICUM BROMATUM
ARS-H - ARSENICUM HYDROGENISATUM
ARS-I - ARSENICUM IODATUM
ARS-MET - ARSENICUM METALLICUM
ARS-S-F - ARSENICUM SULPHURATUM FLAVUM (ARSENIC TRISULPH.)
ART-V - ARTEMISIA VULGARIS
ARUM-D - ARUM DRACONTIUM
ARUM-T - ARUM TRIPHYLLUM
ARUND - ARUNDO MAURITANICA (ARUNDO)
ASAF - ASA FOETIDA (ASAFOETIDA)
ASAR - ASARUM EUROPAEUM (ASARUM EUROPUM)
ASC-C - ASCLEPIAS CORNUTI (ASCLEPIAS SYRIACA)
ASC-T - ASCLEPIAS TUBEROSA
ASIM - ASIMINA TRILOBA
ASPAR - ASPARAGUS OFFICINALIS
ASTAC - ASTACUS FLUVIATILIS (CANCER ASTACUS)
ASTER - ASTERIAS RUBENS
ASTRA-MO - ASTRAGALUS MOLLISSIMUS
AUR - AURUM METALLICUM
AUR-M-N - AURUM MURIATICUM NATRONATUM
AVEN - AVENA SATIVA
AZA - AZADIRACHTA INDICA

B
BAC - BACILLINUM BURNETT (BACILLINUM)
BAD - BADIAGA
BALS-P - BALSAMUM PERUVIANUM
BAPT - BAPTISIA TINCTORIA (BAPTISIA)
BAR-ACT - BARYTA ACETICA
BAR-C - BARYTA CARBONICA (BARYTA CARB)
BAR-I - BARYTA IODATA
BAR-M - BARYTA MURIATICA
BAROS - BAROSMA CRENULATUM (BAROSMA CRENATA)
BELL - BELLADONNA
BELL-P - BELLIS PERENNIS
BENZ-AC - BENZOICUM ACIDUM
BENZOL - BENZOLUM (BENZENUM - COAL NAPHTHA)
BERB - BERBERIS VULGARIS
BERB-A - BERBERIS AQUIFOLIUM (BERBERIS AQUIFOLIUM - MAHONIA)
BETA - BETA VULGARIS
BISM-SN - BISMUTHUM SUBNITRICUM (BISMUTHUM)
BLATTA-A - BLATTA AMERICANA
BLATTA-O - BLATTA ORIENTALIS
BOL-LA - BOLETUS LARICIS (POLYPORUS OFFICINALE)
BOR-AC - BORICUM ACIDUM
BORX - BORAX VENETA (BORAX)
BOTH - BOTHROPS LANCEOLATUS (BOTHROPS LANCIOLATUS - LACHESIS LANCIOLATUS)
BOTUL - BOTULINUM
BOV - BOVISTA LYCOPERDON (BOVISTA)
BRACH - BRACHYGLOTTIS REPENS (BRACHYGLOTTIS)
BROM - BROMIUM (BROMUM)
BRY - BRYONIA ALBA (BRYONIA)
BUFO - BUFO RANA (BUFO)
BUT-AC - BUTYRICUM ACIDUM (BUTYRIC ACID)

C
CACT - CACTUS GRANDIFLORUS (SELENICEREUS SPINULOSUS)
CADM-S - CADMIUM SULPHURATUM
CAIN - CAINCA (CAHINCA)
CAJ - CAJUPUTUM (OLEUM WITTNEBIANUM)
CALAD - CALADIUM SEGUINUM
CALC - CALCAREA CARBONICA (CALCAREA CARBONICA - OSTREARUM)
CALC-ACT - CALCAREA ACETICA
CALC-AR - CALCAREA ARSENICOSA (CALCAREA ARSENICA)
CALC-F - CALCAREA FLUORICA (FLUOR SPAR)
CALC-I - CALCAREA IODATA
CALC-P - CALCAREA PHOSPHORICA
CALC-S - CALCAREA SULPHURICA
CALC-SIL - CALCAREA SILICATA
CALEN - CALENDULA OFFICINALIS
CALO - CALOTROPIS GIGANTEA (CALOTROPIS)
CALTH - CALTHA PALUSTRIS
CAMPH - CAMPHORA
CAMPH-BR - CAMPHORA BROMATA (CAMPHORA MONO-BROMATA)
CANCH - CANCHALAGUA
CANN-I - CANNABIS INDICA
CANN-S - CANNABIS SATIVA
CANTH - CANTHARIS VESICATORIA (CANTHARIS)
CAPS - CAPSICUM ANNUUM (CAPSICUM)
CARB-AC - CARBOLICUM ACIDUM
CARB-AN - CARBO ANIMALIS
CARB-V - CARBO VEGETABILIS
CARBN-H - CARBONEUM HYDROGENISATUM
CARBN-O - CARBONEUM OXYGENISATUM
CARBN-S - CARBONEUM SULPHURATUM
CARC - CARCINOSINUM (CARCINOSIN)
CARD-M - CARDUUS MARIANUS
CARL - CARLSBAD AQUA (CARLSBAD)
CAS-S - CASCARA SAGRADA (RHAMNUS PURSHIANA)
CASC - CASCARILLA
CAST - CASTOREUM CANADENSE (CASTOREUM)
CASTN-V - CASTANEA VESCA
CASTOR-E - CASTOR EQUI
CATAR - CATARIA NEPETA
CAUL - CAULOPHYLLUM THALICTROIDES (CAULOPHYLLUM)
CAUST - CAUSTICUM
CEAN - CEANOTHUS AMERICANUS (CEANOTHUS)
CEDR - CEDRON (SIMARUBA FERROGINEA)
CENCH - CENCHRIS CONTORTRIX (ANCISTRODON)
CER-OX - CERIUM OXALICUM
CERE-B - CEREUS BONPLANDII
CHAM - CHAMOMILLA
CHAP - CHAPARRO AMARGOSO
CHEL - CHELIDONIUM MAJUS
CHELO - CHELONE GLABRA (CHELONE)
CHEN-A - CHENOPODIUM ANTHELMINTICUM
CHIM - CHIMAPHILA UMBELLATA
CHIN - CHINA OFFICINALIS (CINCHONA OFFICINALIS)
CHININ-A - CHININUM ARSENICOSUM
CHININ-S - CHININUM SULPHURICUM
CHION - CHIONANTHUS VIRGINICA (CHIONANTHUS)
CHLF - CHLOROFORMIUM (CHLOROFORMUM)
CHLOL - CHLORALUM HYDRATUM (CHLORALUM)
CHLOR - CHLORUM
CHOL - CHOLESTERINUM
CHR-AC - CHROMICUM ACIDUM
CHRYSAR - CHRYSAROBINUM
CIC - CICUTA VIROSA
CIMIC - CIMICIFUGA RACEMOSA (CIMICIFUGA - ACTAEA RACEMOSA - MACROTYS)
CIMX - CIMEX LECTULARIUS (CIMEX - ACANTHIA)
CINA - CINA MARITIMA (CINA)
CINE - CINERARIA MARITIMA (CINERARIA)
CINNB - CINNABARIS (MERCURIUS SULPHURATUS RUBER)
CINNM - CINNAMOMUM CEYLANICUM (CINNAMOMUM)
CIST - CISTUS CANADENSIS
CIT-V - CITRUS VULGARIS
CLEM - CLEMATIS ERECTA
COB - COBALTUM METALLICUM (COBALTUM)
COC-C - COCCUS CACTI
COCA - COCA-ERYTHROXYLON COCA
COCAIN - COCAINUM HYDROCHLORICUM (COCAINA)
COCC - COCCULUS INDICUS (COCCULUS)
COCC-S - COCCINELLA SEPTEMPUNCTATA
COCH - COCHLEARIA ARMORACIA (ARMORACIA SATIVA)
COD - CODEINUM
COFF - COFFEA CRUDA
COLCH - COLCHICUM AUTUMNALE (COLCHICUM)
COLL - COLLINSONIA CANADENSIS
COLOC - COLOCYNTHIS
CON - CONIUM MACULATUM (CONIUM)
COM - COMOCLADIA DENTATA
CONV - CONVALLARIA MAJALIS
COP - COPAIVA OFFICINALIS (COPAIVA)
COR-R - CORALLIUM RUBRUM (CORALLIUM)
CORH - CORALLORHIZA ODONTORHIZA (CORALLORHIZA)
CORN - CORNUS CIRCINATA
CORY - CORYDALIS FORMOSA (CORYDALIS - DICENTRA CANADENSIS)
COT - COTYLEDON UMBILICUS (COTYLEDON)
CRAT - CRATAEGUS OXYACANTHA (CRATAEGUS)
CROC - CROCUS SATIVUS (CROCUS SATIA)
CROT-H - CROTALUS HORRIDUS
CROT-T - CROTON TIGLIUM
CUB - CUBEBA OFFICINALIS (CUBEBA)
CUC-C - CUCURBITA CITRULLUS
CUC-P - CUCURBITA PEPO
CUND - CUNDURANGO (CONDURANGO)
CUPH - CUPHEA VISCOSISSIMA (CUPHEA)
CUPR - CUPRUM METALLICUM
CUPR-ACT - CUPRUM ACETICUM
CUPR-AR - CUPRUM ARSENICOSUM
CUR - CURARE (WOORARI)
CYCL - CYCLAMEN EUROPAEUM (CYCLAMEN)
CYPR - CYPRIPEDIUM PUBESCENS (CYPRIPEDIUM)
CYT-L - CYTISUS LABURNUM (LABURNUM)

D
DAM - DAMIANA (TURNERA)
DAPH - DAPHNE INDICA
DIG - DIGITALIS PURPUREA (DIGITALIS)
DIOS - DIOSCOREA VILLOSA
DIOSM - DIOSMA LINCARIS
DIPH - DIPHTHERINUM
DOL - DOLICHOS PRURIENS (DOLICHOS PURIENS - MUCUNA)
DOR - DORYPHORA DECEMLINEATA (DORYPHORA)
DROS - DROSERA ROTUNDIFOLIA (DROSERA)
DUBO-M - DUBOISIA MYOPOROIDES (DUBOISIA)
DULC - DULCAMARA

E
ECHI - ECHINACEA ANGUSTIFOLIA (ECHINACEA - RUDBECKIA)
ELAPS - ELAPS CORALLINUS
ELAT - ELATERIUM OFFICINARUM (ELATERIUM - ECBALIUM)
EOS - EOSINUM (EOSIN)
EPIG - EPIGEA REPENS
EPIPH - EPIPHEGUS VIRGINIANA (EPIPHEGUS - OROBANCHE)
EQUIS-H - EQUISETUM HYEMALE (EQUISETUM)
ERECH - ERECHTHITES HIERACIFOLIA (ERECHTHITES)
ERIG - ERIGERON CANADENSE (ERIGERON - LEPTILON CANADENSE)
ERIO - ERIODYCTION CALIFORNICUM (ERIODICTYON)
ERY-A - ERYNGIUM AQUATICUM
ESCH - ESCHSCHOLTZIA CALIFORNICA
EUCAL - EUCALYPTUS GLOBULUS
EUG - EUGENIA JAMBOS (JAMBOSA VULGARIS)
EUON-A - EUONYMUS ATROPURPUREA
EUP-A - EUPATORIUM AROMATICUM
EUP-PER - EUPATORIUM PERFOLIATUM
EUP-PUR - EUPATORIUM PURPUREUM
EUPH - EUPHORBIUM OFFICINARUM (EUPHORBIUM)
EUPH-L - EUPHORBIA LATHYRIS
EUPH-PO - EUPHORBIA POLYCARPA (GOLONDRINA)
EUPHR - EUPHRASIA OFFICINALIS (EYEBRIGHT)
EUPI - EUPIONUM (EUPION)

F
FAB - FABIANA IMBRICATA
FAGO - FAGOPYRUM ESCULENTUM (FAGOPYRUM)
FEL - FEL TAURI
FERR - FERRUM METALLICUM
FERR-I - FERRUM IODATUM
FERR-MA - FERRUM MAGNETICUM
FERR-P - FERRUM PHOSPHORICUM
FERR-PIC - FERRUM PICRICUM
FIC-R - FICUS RELIGIOSA
FIL - FILIX MAS (ASPIDIUM)
FL-AC - FLUORICUM ACIDUM
FORM - FORMICA RUFA (MYRMEXINE)
FORMAL - FORMALINUM (FORMALIN)
FRAG - FRAGARIA VESCA (FRAGARIA)
FRANC - FRANCISCEA UNIFLORA (FRACISCEA)
FRAX - FRAXINUS AMERICANA
FUC - FUCUS VESICULOSUS
FUCH - FUCHSINUM (FUCHSINA - MAGENTA)
FULI - FULIGO LIGNI

G
GAL-AC - GALLICUM ACIDUM
GALA - GALANTHUS NIVALIS
GALI - GALIUM APARINE
GAMB - GAMBOGIA (GAMBOGIA - GARCINIA MORELLA)
GAUL - GAULTHERIA PROCUMBENS (GAULTHERIA)
GELS - GELSEMIUM SEMPERVIRENS (GELSEMIUM)
GENT-L - GENTIANA LUTEA
GER - GERANIUM MACULATUM
GET - GETTYSBURG WATER
GINS - GINSENG QUINQUEFOLIUM (GINSENG)
GLON - GLONOINUM
GLYC - GLYCERINUM
GNAPH - GNAPHALIUM POLYCEPHALUM (GNAPHALIUM)
GOSS - GOSSYPIUM HERBACEUM (GOSSYPIUM)
GRAN - GRANATUM
GRAPH - GRAPHITES
GRAT - GRATIOLA OFFICINALIS (GRATIOLA)
GRIN - GRINDELIA ROBUSTA (GRINDELIA)
GUA - GUACO
GUAJ - GUAJACUM OFFICINALE (GUAIACUM)
GUAR - GUARANA (PAULLINIA SORBILIS)
GUARE - GUAREA TRICHILOIDES (GUAREA)
GYMNO - GYMNOCLADUS CANADENSIS (GYMNOCLADUS)

H
HAEM - HAEMATOXYLON CAMPECHIANUM (HAEMATOXYLON)
HAM - HAMAMELIS VIRGINIANA (HAMAMELIS VIRGINICA)
HECLA - HECLA LAVA (HEKLA LAVA)
HEDEO - HEDEOMA PULEGIOIDES (HEDEOMA)
HELIA - HELIANTHUS ANNUUS (HELIANTHUS)
HELL - HELLEBORUS NIGER (HELLEBORUS)
HELO - HELODERMA
HELON - HELONIAS DIOICA (HELONIAS - CHAMAELIRIUM)
HEP - HEPAR SULPHUR (HEPAR SULPHURIS CALCAREUM)
HEPAT - HEPATICA TRILOBA (HEPATICA)
HERA - HERACLEUM SPHONDYLIUM (HERACLEUM - BRANCA URSINA)
HIP-AC - HIPPURICUM ACIDUM (HIPPURIC ACID)
HIPP - HIPPOMANES
HIPPOZ - HIPPOZAENINUM (HIPPOZAENIUM)
HOM - HOMARUS
HURA - HURA BRASILIENSIS
HYDR - HYDRASTIS CANADENSIS (HYDRASTIS)
HYDR-AC - HYDROCYANICUM ACIDUM (HYDROCYANIC ACID)
HYDRANG - HYDRANGEA ARBORESCENS (HYDRANGEA)
HYDRC - HYDROCOTYLE ASIATICA (HYDROCOTYLE)
HYOS - HYOSCYAMUS NIGER (HYOSCYAMUS)
HYPER - HYPERICUM PERFORATUM (HYPERICUM)

I
IBER - IBERIS AMARA (IBERIS)
ICHTH - ICHTHYOLUM
ICTOD - ICTODES FOETIDA (POTHOS FOETIDUS)
IGN - IGNATIA AMARA (IGNATIA)
ILX-A - ILEX AQUIFOLIUM
IND - INDIUM METALLICUM (INDIUM)
INDG - INDIGO TINCTORIA (INDIGO)
INDOL - INDOLUM (INDOL)
INS - INSULINUM (INSULIN)
INUL - INULA HELENIUM (INULA)
IOD - IODIUM (IODUM)
IODOF - IODOFORMIUM (IODOFORMUM)
IP - IPECACUANHA (IPECA)
IRID-MET - IRIDIUM METALLICUM (IRIDIUM)
IRIS - IRIS VERSICOLOR

J
JAB - JABORANDI (PILOCARPUS MICROPHYLLUS)
JAC-C - JACARANDA CAROBA (JACARANDA)
JAL - JALAPA (EXOGONIUM PURGA)
JATR - JATROPHA CURCAS (JATROPHA)
JOAN - JOANESIA ASOCA (JONOSIA ASOCA)
JUG-C - JUGLANS CINEREA
JUG-R - JUGLANS REGIA
JUNC-E - JUNCUS EFFUSUS
JUNI-C - JUNIPERUS COMMUNIS
JUST - JUSTICIA ADHATODA (JUSTICIA ADHATODA BASAKA)

K
KALI-AR - KALIUM ARSENICOSUM (KALI ARSENICUM)
KALI-BI - KALIUM BICHROMICUM (KALI BICHROMICUM)
KALI-BR - KALIUM BROMATUM (KALI BROMATUM)
KALI-C - KALIUM CARBONICUM (KALI CARBONICUM)
KALI-CHL - KALIUM CHLORICUM (KALI CHLORICUM)
KALI-CY - KALIUM CYANATUM (KALI CYANATUM)
KALI-I - KALIUM IODATUM (KALI HYDRIODICUM)
KALI-M - KALIUM MURIATICUM (KALI MURIATICUM)
KALI-N - KALIUM NITRICUM (KALI NITRICUM - NITRUM)
KALI-P - KALIUM PHOSPHORICUM (KALI PHOSPHORICUM)
KALI-PER - KALIUM PERMANGANATUM (KALI PERMANGANICUM)
KALI-S - KALIUM SULPHURICUM (KALI SULPHURICUM)
KALI-SIL - KALIUM SILICICUM (KALI SILICATUM)
KALM - KALMIA LATIFOLIA
KAOL - KAOLINUM (KAOLIN)
KOLA - KOLA (STERCULIA)
KOU - KOUSSO (KOUSSO - BRAYERA)
KREOS - KREOSOTUM

L
LAC-AC - LACTICUM ACIDUM
LAC-C - LAC CANINUM
LAC-D - LAC VACCINUM DEFLORATUM (LAC DEFLORATUM)
LACH - LACHESIS MUTUS (LACHESIS)
LACHN - LACHNANTHES TINCTORIA (LACHNANTHES)
LACT-V - LACTUCA VIROSA
LAM - LAMIUM ALBUM (LAMIUM)
LAP-A - LAPIS ALBUS
LAPPA - LAPPA ARCTIUM
LAT-M - LATRODECTUS MACTANS
LATH - LATHYRUS SATIVUS (LATHYRUS)
LAUR - LAUROCERASUS
LEC - LECITHINUM (LECITHIN)
LED - LEDUM PALUSTRE (LEDUM)
LEM-M - LEMNA MINOR
LEPI - LEPIDIUM BONARIENSE
LEPT - LEPTANDRA VIRGINICA (LEPTANDRA)
LIAT - LIATRIS SPICATA (LIATRIS SPICATA - SERRATULA)
LIL-T - LILIUM TIGRINUM
LIM - LIMULUS CYCLOPS (LIMULUS - XIPHOSURA)
LINA - LINARIA VULGARIS (LINARIA)
LINU-U - LINUM USITATISSIMUM
LITH-C - LITHIUM CARBONICUM
LOB - LOBELIA INFLATA
LOB-P - LOBELIA PURPURASCENS
LOL - LOLEUM TEMULENTUM (LOLIUM TUMULENTUM)
LON-X - LONICERA XYLOSTEUM
LUP - LUPULUS HUMULUS
LYC - LYCOPODIUM CLAVATUM (LYCOPODIUM)
LYCPR - LYCOPERSICUM ESCULENTUM (SOLANUM LYCOPERSICUM)
LYCPS-V - LYCOPUS VIRGINICUS
LYSS - LYSSINUM (HYDROPHOBINUM)

M
MAG-C - MAGNESIUM CARBONICUM (MAGNESIA CARBONICA)
MAG-M - MAGNESIUM MURIATICUM (MAGNESIA MURIATICA)
MAG-P - MAGNESIUM PHOSPHORICUM (MAGNESIA PHOSPHORICA)
MAG-S - MAGNESIUM SULPHURICUM (MAGNESIA SULPHURICA)
MAGN-GR - MAGNOLIA GRANDIFLORA
MALAND - MALANDRINUM
MANC - MANCINELLA
MANG-ACT - MANGANUM ACETICUM
MANGI - MANGIFERA INDICA
MED - MEDORRHINUM
MEDUS - MEDUSA
MEL-C-S - MEL CUM SALE
MELI - MELILOTUS OFFICINALIS (MELILOTUS)
MENIS - MENISPERMUM CANADENSE (MENISPERMUM)
MENTH - MENTHA PIPERITA
MENTHO - MENTHOLUM
MENY - MENYANTHES TRIFOLIATA (MENYANTHES)
MEPH - MEPHITIS PUTORIUS (MEPHITIS)
MERC - MERCURIUS SOLUBILIS (MERCURIUS - HYDRARGYRUM)
MERC-C - MERCURIUS CORROSIVUS
MERC-CY - MERCURIUS CYANATUS
MERC-D - MERCURIUS DULCIS
MERC-I-F - MERCURIUS IODATUS FLAVUS
MERC-I-R - MERCURIUS IODATUS RUBER
MERC-SUL - MERCURIUS SULPHURICUS, DRARG, OXYD, SUB-SULPH
MERL - MERCURIALIS PERENNIS
METHYL - METHYLENUM COERULEUM (METHYLENE BLUE)
MEZ - MEZEREUM
MICR - MICROMERIA DOUGLASII (MICROMERIA)
MILL - MILLEFOLIUM
MIT - MITCHELLA REPENS (MITCHELLA)
MOM-B - MOMORDICA BALSAMICA
MORPH - MORPHINUM
MOSCH - MOSCHUS
MUR-AC - MURIATICUM ACIDUM
MURX - MUREX PURPUREA (MUREX)
MYGAL - MYGALE LASIODORA
MYOS-S - MYOSOTIS SYMPHYTIFOLIA (MYOSOTIS)
MYRIC - MYRICA CERIFERA (MYRICA)
MYRIS - MYRISTICA SEBIFERA
MYRT-C - MYRTUS COMMUNIS

N
NAJA - NAJA TRIPUDIANS
NAPH - NAPHTHALINUM (NAPHTHALINE)
NARC-PS - NARCISSUS PSEUDONARCISSUS (NARCISSUS)
NAT-AR - NATRIUM ARSENICOSUM (NATRUM ARSENICUM)
NAT-C - NATRIUM CARBONICUM (NATRUM CARBONICUM)
NAT-HCHL - NATRIUM HYPOCHLOROSUM (NATRUM CHLORATUM)
NAT-M - NATRIUM MURIATICUM (NATRUM MURIATICUM)
NAT-N - NATRIUM NITRICUM (NATRUM NITRICUM)
NAT-P - NATRIUM PHOSPHORICUM
NAT-S - NATRIUM SULPHURICUM (NATRUM SULPHURICUM)
NAT-SAL - NATRIUM SALICYLICUM (NATRUM SALICYLICUM)
NICC-MET - NICCOLUM METALLICUM (NICCOLUM)
NICC-S - NICCOLUM SULPHURICUM
NIT-AC - NITRICUM ACIDUM
NIT-M-AC - NITROMURIATICUM ACIDUM (NITRO-MURIATIC ACID)
NIT-S-D - NITRI SPIRITUS DULCIS
NUPH - NUPHAR LUTEUM
NUX-M - NUX MOSCHATA
NUX-V - NUX VOMICA
NYCT - NYCTANTHES ARBOR TRISTIS

O
OCI - OCIMUM CANUM
OENA - OENANTHE CROCATA
OL-AN - OLEUM ANIMALE AETHEREUM (OLEUM ANIMALE)
OL-J - OLEUM JECORIS ASELLI
OL-SANT - OLEUM SANTALI
OLND - OLEANDER (NERIUM ODORUM)
ONIS - ONISCUS ASELLUS (MILLEPEDES)
ONOS - ONOSMODIUM VIRGINIANUM (ONOSMODIUM)
OP - OPIUM (PAPAVER SOMNIFERUM)
OPER - OPERCULINA TURPENTHUM (OPERCULINA TURPETHUM)
OPUN-F - OPUNTIA FICUS (OPUNTIA-FICUS INDICA)
OREO - OREODAPHNE CALIFORNICA (OREODAPHNE)
ORIG - ORIGANUM MAJORANA (ORIGANUM)
ORNI - ORNITHOGALUM UMBELLATUM
OSM - OSMIUM
OST - OSTRYA VIRGINICA
OV - OVININUM (OOPHORINUM)
OVI-P - OVI GALLINAE PELLICULA
OX-AC - OXALICUM ACIDUM
OXYD - OXYDENDRON ARBOREUM (OXYDENDRON - ANDROMEDA ARBOREA)
OXYT - OXYTROPIS LAMBERTI (OXYTROPIS)

P
PAEON - PAEONIA OFFICINALIS (PAEONIA)
PALL - PALLADIUM METALLICUM (PALLADIUM)
PAR - PARIS QUADRIFOLIA
PARAF - PARAFFINUM (PARAFFINE)
PAREIR - PAREIRA BRAVA (CHONDRODENDRON TOMENTOSUM)
PARTH - PARTHENIUM HYSTEROPHORUS (PARTHENIUM - ESCOBA AMARGO)
PASSI - PASSIFLORA INCARNATA
PEN - PENTHORUM SEDOIDES (PENTHORUM)
PERT - PERTUSSINUM (PERTUSSIN)
PETR - PETROLEUM
PETROS - PETROSELINUM SATIVUM (PETROSELINUM)
PH-AC - PHOSPHORICUM ACIDUM
PHASE - PHASEOLUS NANUS (PHASEOLUS)
PHEL - PHELLANDRIUM AQUATICUM (PHELLANDRIUM)
PHOS - PHOSPHORUS
PHYS - PHYSOSTIGMA VENENOSUM
PHYSAL - PHYSALIS ALKEKENGI (PHYSALIS - SOLANUM VESICARIUM)
PHYT - PHYTOLACCA DECANDRA (PHYTOLACCA)
PIC-AC - PICRICUM ACIDUM
PIN-S - PINUS SILVESTRIS
PIP-M - PIPER METHYSTICUM
PIP-N - PIPER NIGRUM
PITU-GL - PITUITARIA GLANDULA (PITUITARY GLAND)
PIX - PIX LIQUIDA
PLAN - PLANTAGO MAJOR
PLAT - PLATINUM METALLICUM (PLATINA)
PLATAN - PLATANUS OCCIDENTALIS
PLB - PLUMBUM METALLICUM
PODO - PODOPHYLLINUM (PODOPHYLLUM)
POLYG-H - POLYGONUM HYDROPIPEROIDES (POLYGONUM PUNCTATUM)
POLYP-P - POLYPORUS PINICOLA
POP - POPULUS TREMULOIDES
POP-C - POPULUS CANDICANS
PRIM-O - PRIMULA OBCONICA
PRIM-V - PRIMULA VERIS
PROP - PROPYLAMINUM (PROPYLAMIN - TRIMETHYLAMINUM)
PRUN - PRUNUS SPINOSA
PSOR - PSORINUM
PTEL - PTELEA TRIFOLIATA (PTELEA)
PULS - PULSATILLA PRATENSIS (PULSATILLA)
PULX - PULEX IRRITANS
PYROG - PYROGENIUM

Q
QUAS - QUASSIA AMARA (QUASSIA - PICRAENA EXCELSA)
QUEB - QUEBRACHO (ASPIDOSPERMA)
QUERC - QUERCUS E GLANDIBUS (QUERCUS GLANDIUM SPIRITUS)
QUILL - QUILLAYA SAPONARIA

R
RAD-BR - RADIUM BROMATUM (RADIUM)
RAN-B - RANUNCULUS BULBOSUS
RAN-S - RANUNCULUS SCELERATUS
RAPH - RAPHANUS SATIVUS (RAPHANUS)
RAT - RATANHIA PERUVIANA (RATANHIA)
RHAM-CAL - RHAMNUS CALIFORNICA
RHEUM - RHEUM PALMATUM (RHEUM)
RHOD-F - RHODODENDRON FERRUGINEUM (RHODODENDRON)
RHODI - RHODIUM METALLICUM (RHODIUM)
RHUS-A - RHUS AROMATICA
RHUS-G - RHUS GLABRA
RHUS-T - RHUS TOXICODENDRON
RHUS-V - RHUS VENENATA
RIC - RICINUS COMMUNIS (RICINUS COMMUNIS - BOFAREIRA)
ROB - ROBINIA PSEUDACACIA (ROBINIA)
ROS-D - ROSA DAMASCENA
RUMX - RUMEX CRISPUS
RUTA - RUTA GRAVEOLENS

S
SABAD - SABADILLA
SABAL - SABAL SERRULATA
SABIN - SABINA
SACCH - SACCHARUM OFFICINALE (SUCROSE)
SAL-AC - SALICYLICUM ACIDUM
SAL-N - SALIX NIGRA
SALV - SALVIA OFFICINALIS
SAMB - SAMBUCUS NIGRA
SANG - SANGUINARIA CANADENSIS (SANGUINARIA)
SANGIN-N - SANGUINARINUM NITRICUM (SANGUINARINA NITRICA)
SANIC - SANICULA AQUA (SANICULA)
SANTIN - SANTONINUM
SAPO - SAPONARIA OFFICINALIS (SAPONARIA)
SARCOL-A - SARCOLACTICUM ACIDUM (SARCOLACTIC ACID)
SAROTH - SAROTHAMNUS SCOPARIUS (SPARTIUM SCOPARIUM - CYSTISUS SCOPARIUS)
SARR - SARRACENIA PURPUREA
SARS - SARSAPARILLA OFFICINALIS (SARSAPARILLA)
SCROPH-N - SCROPHULARIA NODOSA
SCUT - SCUTELLARIA LATERIFOLIA
SEC - SECALE CORNUTUM (CLAVICEPS PURPUREA)
SED-AC - SEDUM ACRE
SEL - SELENIUM METALLICUM (SELENIUM)
SEMP - SEMPERVIVUM TECTORUM
SENEC - SENECIO AUREUS
SENEG - SENEGA
SENN - SENNA
SEP - SEPIA OFFICINALIS (SEPIA)
SER-ANG - SERUM ANGUILLAE (SERUM ANGUILLAR ICHTHYOTOXIN)
SIL - SILICEA TERRA (SILICEA)
SILPHU - SILPHIUM LACINATUM (SILPHIUM)
SIN-N - SINAPIS NIGRA (BRASSICA NIGRA)
SKAT - SKATOLUM (SKATOL)
SKOOK - SKOOKUM CHUCK AQUA (SKOOKUM - CHUCK)
SOL-N - SOLANUM NIGRUM
SOLID - SOLIDAGO VIRGAUREA (SOLIDAGO VIRGA)
SPIG - SPIGELIA ANTHELMIA (SPIGELIA)
SPIRA - SPIRANTHES AUTUMNALIS (SPIRANTHES)
SPIRAE - SPIRAEA ULMARIA
SPONG - SPONGIA TOSTA
SQUIL - SQUILLA MARITIMA
STACH - STACHYS BETONICA (BETONICA)
STANN - STANNUM METALLICUM (STANNUM)
STAPH - STAPHYSAGRIA
STEL - STELLARIA MEDIA
STICT - STICTA PULMONARIA (STICTA)
STIGM - STIGMATA MAYDIS (ZEA)
STILL - STILLINGIA SILVATICA (STILLINGIA)
STRAM - STRAMONIUM
STRONT-C - STRONTIUM CARBONICUM (STRONTIA)
STROPH-H - STROPHANTHUS HISPIDUS
STRY - STRYCHNINUM PURUM (STRYCHNINUM)
STRY-P - STRYCHNINUM PHOSPHORICUM (STRYCHNIA PHOSPHORICA)
STRYCH-G - STRYCHNOS GAULTHERIANA (HOANG NAN)
SUCC - SUCCINUM
SUL-AC - SULPHURICUM ACIDUM
SUL-I - SULPHUR IODATUM
SULFON - SULFONALUM (SULFONAL)
SULO-AC - SULPHUROSUM ACIDUM
SULPH - SULPHUR
SUMB - SUMBULUS MOSCHATUS (SUMBUL - FERULA SUMBUL)
SYM-R - SYMPHORICARPUS RACEMOSUS (SYMPHORICARPUS RACEMOSA)
SYMPH - SYMPHYTUM OFFICINALE (SYMPHYTUM)
SYPH - SYPHILINUM
SYZYG - SYZYGIUM JAMBOLANUM

T
TAB - TABACUM
TANAC - TANACETUM VULGARE
TANN-AC - TANNICUM ACIDUM (TANNIC ACID)
TARAX - TARAXACUM OFFICINALE
TARENT - TARENTULA HISPANICA
TARENT-C - TARENTULA CUBENSIS
TART-AC - TARTARICUM ACIDUM
TAX - TAXUS BACCATA
TELL - TELLURIUM METALLICUM (TELLURIUM)
TER - TEREBINTHINIAE OLEUM (TEREBINTHINA)
TEUCR - TEUCRIUM MARUM VERUM (TEUCRIUM MARUM)
THAL-MET - THALLIUM METALLICUM (THALLIUM)
THEA - THEA CHINENSIS (THEA)
THER - THERIDION CURASSAVICUM (THERIDION)
THIOSIN - THIOSINAMINUM (RHODALLIN)
THLAS - THLASPI BURSA PASTORIS (CAPSELLA)
THUJ - THUJA OCCIDENTALIS
THYMOL - THYMOLUM (THYMOL)
THYMU - THYMUS SERPYLLUM
THYR - THYROIDINUM
TIL - TILIA EUROPAEA (TILIA EUROPA)
TITAN - TITANIUM METALLICUM (TITANIUM)
TONG - TONGO-DIPTERIX ODORATA (TONGO - DIPTRIX ODORATA)
TOR - TORULA CEREVISIAE
TRIB - TRIBULUS TERRESTRIS
TRIF-P - TRIFOLIUM PRATENSE
TRIL-P - TRILLIUM PENDULUM
TRINIT - TRINITROTOLUENUM (TRINITROTOLUENE)
TRIOS - TRIOSTEUM PERFOLIATUM
TRITIC - TRITICUM REPENS-AGROPYRON REPENS (TRITICUM)
TROM - TROMBIDIUM MUSCAE DOMESTICAE (TROMBIDIUM)
TUB - TUBERCULINUM
TUS-P - TUSSILAGO PETASITES

U
UPA - UPAS TIEUT (UPAS TIENTE)
URAN-N - URANIUM NITRICUM
UREA - UREA PURA (UREA)
URT-U - URTICA URENS
USN - USNEA BARBATA
UST - USTILAGO MAYDIS
UVA - UVA URSI

V
VAC - VACCININUM
VALER - VALERIANA OFFICINALIS (VALERIANA)
VANAD - VANADIUM METALLICUM (VANADIUM)
VANIL - VANILLA AROMATICA (VANILLA - PLANIFOLIA)
VARIO - VARIOLINUM
VERAT - VERATRUM ALBUM
VERAT-V - VERATRUM VIRIDE
VERB - VERBASCUM THAPSUS (VERBASCUM)
VERBE-U - VERBENA URTICAEFOLIA (VERBENA)
VESP - VESPA CRABRO
VIB - VIBURNUM OPULUS
VINC - VINCA MINOR
VIOL-O - VIOLA ODORATA
VIOL-T - VIOLA TRICOLOR
VIP - VIPERA BERUS (VIPERA)
VISC - VISCUM ALBUM

W
WYE - WYETHIA HELENOIDES (WYETHIA)

X
X-RAY - X-RAY
XAN - XANTOXYLUM FRAXINEUM (XANTHOXYLUM)
XERO - XEROPHYLLUM

Y
YOHIM - YOHIMBINUM
YUC - YUCCA FILAMENTOSA

Z
ZINC - ZINCUM METALLICUM (ZINC)
ZINC-VAL - ZINCUM VALERIANICUM (ZINCUM VALERIANUM)
ZING - ZINGIBER OFFICINALE (ZINGIBER)
ZIZ - ZIZIA AUREA (THASPIUM AUREUM - ZIZIA)


JOSÉ MARIA ALVES
http://www.homeoesp.org/

domingo, 4 de Abril de 2010

ARTIGOS REPERTORIAIS - INTRODUÇÃO




NOTA PRÉVIA


Os medicamentos citados nos artigos repertoriais editados a partir de 22 de Novembro de 2012 são considerados de grau 1, ou seja: foram observados na totalidade ou quase totalidade dos experimentadores e foram devidamente confirmados por curas clínicas.

Segue a explicação dos "graus" em conformidade com os repertórios de características unicistas:
1º Grau, pontuação 3 nos quadros repertoriais – Todas as letras da abreviatura em maiúsculas – v.g., AUR .
         Tratam-se de sintomas que foram observados na totalidade ou na maioria dos experimentadores, com curas clínicas confirmadas.
     2º Grau, pontuação 2 nos quadros repertoriais – A primeira letra da abreviatura em maiúscula, as seguintes em minúscula – v.g., Aur .
         Sintomas observados nalguns experimentadores, bem como algumas vezes na prática clínica.
     3º Grau, pontuação 1 nos quadros repertoriais – Todas as letras em minúsculas – v.g., aur .
         Sintomas apenas obtidos através de um ou de raros experimentadores.







ARTIGOS REPERTORIAIS – INTRODUÇÃO

Para além dos tratamentos a realizar pelos terapeutas, tendo em vista as inúmeras patologias específicas – e que constam do Novo Repertório Clínico (ver ETIQUETAS no fim de página do blogue) -, sendo certo, que preferencialmente a Homeopatia deve ser exercida na sua formulação hahnemanniana ou unicista – em homeopatia não há doenças, mas tão somente doentes -, casos existem, que impõem intervenções sintomáticas. E, mais se impõem, quando os práticos fazem uso das escolas Pluralista, Complexista ou assumem métodos eclécticos.

Daí, os artigos que começaremos agora a editar.
Atente-se, que nalguns casos, podem já existir outros artigos sobre a mesma matéria, o que justifica a utilização do PESQUISADOR do blogue.

Deles constam os medicamentos consagrados clinicamente, criteriosamente escolhidos.
Tal escolha, estribou-se essencialmente na Matéria Médica de William Boericke, no seu Repertório, e, pontualmente, mas muito pontualmente na de Clarke.
Em bom rigor, ao prático – ou o enfermo, desde que seja minimamente conhecedor dos princípios fundamentais que enformam esta ciência e arte de curar – exige-se um conhecimento senão perfeito, pelo menos conveniente de uma matéria médica das muitas disponíveis. É evidente, que tal conhecimento não o dispensará da consulta de outras fontes, muito especialmente se pretender obter uma cura rápida e não agressiva. Mas, convenhamos, que é preferível o bom conhecimento de uma boa matéria médica à quase ignorância de uma multiplicidade de obras.
*
A este tipo de artigos, ditos "repertoriais", aditamos outros, que nos indicam key notes e sintomas singulares de alguns medicamentos homeopáticos e que serão editados a negrito - confirmados patogenésica ou clinicamente por homeopatas de reconhecido mérito, nomeadamente, Allen (H.C.), Boericke, Guernsey, Hawkes (W.J.), Kent, Lippe, Seror, Vannier, Voisin, Woods.
*
Nos tempos conturbados em que vivemos, onde o tempo parece escassear, estamos conscientes das limitações e exigências dos terapeutas.
No entanto, nada legitimará, que estes, em atitude negligente, prescrevam de modo irresponsável, sem que estruturem o seu modus operandi nos princípios e regras essenciais da medicina homeopática.


Os medicamentosconsagrados”, são enunciados por ordem alfabética, por extenso ou identificados pelas suas abreviaturas (veja-se neste blogue o artigo » MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS - ABREVIATURAS, utilizando o pesquisador), cabendo ao homeopata fazer a sua escolha por via do diagnóstico diferencial. Ou seja, comparando os sinais e sintomas do paciente com as patogenesias dos remédios, receitará o que mais se adequar àquelas condições – veja-se a HOMEOPATHIC MATERIA MEDICA – WILLIAM BOERICKE -
http://www.homeoesp.org/ (use o pesquisador google do site).
Caber-lhe-á também, encontrar a potência e a dose – neste sentido, veja-se a nossa INTRODUÇÃO ao NOVO REPERTÓRIO CLÍNICO HOMEOPÁTICO (POR PATOLOGIAS) » ETIQUETAS (fim de página) ou
http://www.homeoesp.org/» MENU » LIVROS ONLINE

Os artigos não serão editados alfabeticamente, mas antes, em conformidade com os múltiplos pedidos que nos são feitos, quer via mail quer pelos comentários do blogue, sendo agregados numa nova ETIQUETA » ARTIGOS REPERTORIAIS - HOMEOPATIA.
E serão na medida das nossas possibilidades e da sua importância, aditados ao NOVO REPERTÓRIO CLÍNICO HOMEOPÁTICO.



O tratamento deve ser orientado por Médico com especialidade em Homeopatia, por Terapeuta ou por quem tenha cabais conhecimentos da arte de curar em homeopatia.
Neste último caso, poderá ser o próprio paciente, a quem aconselhamos:
1 – A leitura sequencial em http://www.homeoesp.org/ dos ARTIGOS » HOMEOPATIA –;
2 – No mesmo site e local, a leitura da MATÉRIA MÉDICA DOS PRINCIPAIS MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS
3
– Também em http://www.homeoesp.org/ LIVROS ONLINE a leitura » ORGANON DE HAHNEMANN – RESUMO – PORTUGUÊS;
4 – No mesmo site, um primeiro contacto com dois Repertórios Homeopáticos –
- REPERTÓRIO PRÁTICO DE SINTOMAS HOMEOPÁTICOS e,
- REPERTÓRIO PRÁTICO DE SINTOMAS GERAIS HOMEOPÁTICOS;
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JOSÉ MARIA ALVES
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FERNANDO PESSOA - ÁLVARO DE CAMPOS - TENHO ESCRITO MAIS VERSOS QUE VERDADE






Tenho escrito mais versos que verdade.
Tenho escrito principalmente
Porque outros têm escrito.
Se nunca tivesse havido poetas no mundo,
Seria eu capaz de ser o primeiro?
Nunca!
Seria um indivíduo perfeitamente consentível,
Teria casa própria e moral.
Senhora Gertrudes!
Limpou mal este quarto:
Tire-me essas ideias daqui!

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - A RICARDO REIS






A Ricardo Reis

Também sei fazer conjecturas.
Há em cada coisa aquilo que ela é que a anima.
Na planta está por fora e é uma ninfa pequena.
No animal é um ser interior longínquo.
No homem é a alma que vive com ele e é já ele.
Nos deuses tem o mesmo tamanho
E o mesmo espaço que o corpo
E é a mesma coisa que o corpo.
Por isso se diz que os deuses nunca morrem.
Por isso os deuses não têm corpo e alma
Mas só corpo e são perfeitos.
O corpo é que lhes é alma
E têm consciência na própria carne divina.


FERNANDO PESSOA - AH, QUE MAÇADA O PIANO





Ah, que maçada o piano
Eternamente a tocar
Lá em cima, no outro andar!

Ah, que tristeza o cessar!
Sempre era gente a tocar!
Sempre tinha companhia
Nessa constante arrelia.

Vizinha, se não morreu,
Que aquele piano seu
Volte de novo a maçar!
Sem ele penso e sou eu,
Com ele esqueço a sonhar...

Má música? Sim, mas há
Até na música má
Um sentimento de alguém.
Não sei quem o sente ou dá,
Não sei quem o dá ou tem.

Não deixe de me maçar
Com o contínuo tocar
Do seu piano frequente.
Ah, torne-me a arreliar
E mace-me eternamente!

A quem é só, tudo é mais
Que o que está naquilo que é.
Notas falsas, desiguais –
Não se importe: a minha fé,
Meu sonho, vão a reboque
Do que toca mal e até
Do piano, o não sei quê...
Toque mal; mas toque, toque!

FERNANDO PESSOA - ÁLVARO DE CAMPOS - SAÍ DO COMBOIO






Saí do comboio,
Disse adeus ao companheiro de viagem,
Tínhamos estado dezoito horas juntos.
A conversa agradável,
A fraternidade da viagem,
Tive pena de sair do comboio, de o deixar.

Amigo casual cujo nome nunca soube.
Meus olhos, senti-os, marejarem-se de lágrimas...
Toda despedida é uma morte...
Sim, toda despedida é uma morte.
Nós, no comboio a que chamamos a vida
Somos todos casuais uns para os outros,
E temos todos pena quando por fim desembarcamos.

Tudo que é humano me comove, porque sou homem.
Tudo me comove, porque tenho,
Não uma semelhança com ideias ou doutrinas,
Mas a vasta fraternidade com a humanidade verdadeira.

A criada que saiu com pena
A chorar de saudade
Da casa onde a não tratavam muito bem...

Tudo isso é no meu coração a morte e a tristeza do mundo,
Tudo isso vive, porque morre, dentro do meu coração.

E o meu coração é um pouco maior que o universo inteiro.

FERNANDO PESSOA - RICARDO REIS - TUAS, NÃO MINHAS, TEÇO ESTAS GRINALDAS






Tuas, não minhas, teço estas grinaldas,
Que em minha fronte renovadas ponho.
Para mim tece as tuas,
Que as minhas eu não vejo.
Se não pesar na vida melhor gozo
Que o vermo-nos, vejamo-nos, e, vendo,
Surdos conciliemos
O insubsistente surdo.
Coroemo-nos pois uns para os outros,
E brindemos uníssonos à sorte
Que houver, até que chegue
A hora do barqueiro.

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - POUCO A POUCO O CAMPO SE ALARGA E SE DOURA






Pouco a pouco o campo se alarga e se doura.
A manhã extravia-se pelos irregulares da planície.
Sou alheio ao espectáculo que vejo: vejo-o.
É exterior a mim. Nenhum sentimento me liga a ele,
E é esse o sentimento que me liga à manhã que aparece.


FERNANDO PESSOA - RICARDO REIS - NÃO CONSENTEM OS DEUSES MAIS QUE A VIDA






Não consentem os deuses mais que a vida.
Tudo pois refusemos, que nos alce
A irrespiráveis píncaros,
Perenes sem ter flores.
Só de aceitar tenhamos a ciência,
E, enquanto bate o sangue em nossas fontes,
Nem se engelha connosco
O mesmo amor, duremos,
Como vidros transparentes
E deixando escorrer a chuva triste,
Só mornos ao sol quente,
E reflectindo um pouco.


FERNANDO PESSOA - ÁLVARO DE CAMPOS - LISBOA COM SUAS CASAS





Lisboa com suas casas
De várias cores,
Lisboa com suas casa
De várias cores,
Lisboa com suas casas
De várias cores...
À força de diferente, isto é monótono,
Como à força de sentir, fico só a pensar.

Se, de noite, deitado mas desperto
Na lucidez inútil de não poder dormir,
Quero imaginar qualquer coisa
E surge sempre outra (porque há sono,
E, porque há sono, um bocado de sonho),
Quero alongar a vista com que imagino
Por grandes palmares fantásticos,
Mas não vejo mais,
Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,
Que Lisboa com suas casas
De várias cores.

Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.
À força de monótono, é diferente.
E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.

GUILLAUME APOLLINAIRE - UM FANTASMA DE NUVENS NEGRAS








Como era véspera de catorze de Julho
Por volta das quatro da tarde
Desci à rua para ir ver os saltimbancos

Essas pessoas que fazem piruetas no ar
Começam a ser raros em Paris
Quando era jovem viam-se mais que agora
Mudaram-se quase todos para a província

Sigo pelo Boulevard Saint-Germain
E numa pequena praça situada entre Saint-Germain-des-Prés e a estátua de Danton
Encontro os saltimbancos

A turba rodeava-os muda e resignada a esperar
Arranjei um lugar no círculo de forma que podia ver
Pesos formidáveis
Cidades da Bélgica levantadas com um só braço por um operário russo de Longwy
Halteres negros e ocos que têm por haste um rio gelado
Dedos enrolando um cigarro amargo e saboroso como a vida

Numerosos tapetes sujos cobriam o chão
Tapetes com pregas que não podiam ser alisadas
Tapetes que são quase inteiramente da cor da poeira
E onde algumas manchas amarelas e verdes persistiam
Como uma melodia que não nos sai da cabeça

Vês aquele personagem magro e selvagem
A sua barba grisalha era a cinza dos seus antepassados
Toda a sua hereditariedade estava estampada na sua cara
Parecia sonhar com o futuro
Enquanto mecanicamente tocava um órgão da Barbaria
Cujo som era um lamento maravilhoso
Cheio de gluglus cuácuás e surdos gemidos

Os saltimbancos não se mexiam
O mais velho usava um fato de banho rosa violáceo da cor do rosto e certas raparigas ainda jovens mas já perto da morte

Esse rosa é mais forte sobretudo nas pregas que muitas vezes rodeiam as suas bocas
Ou perto das narinas
É um rosa cheio de perfídia

Esse homem carregava também sobre o dorso
A tinta ignóbil dos seus pulmões

Por todo o lado havia braços
Braços montando guarda

O segundo saltimbanco
Não vestia senão a sua sombra
Olhei-o durante muito tempo
O seu rosto escapa-me completamente
Era um homem sem cabeça

Um outro tinha o ar desleixado
De um apache bom e simultaneamente crápula
Com as suas calças empoladas e as ligas das peúgas
Parecia um rufia

A música parou e dirigiram-se ao público
Que soldo a soldo lançou sobre o tapete a soma de dois francos e cinquenta
Em lugar dos três francos que o velho tinha fixado como preço da actuação

Mas quando se tornou claro que ninguém daria mais nada
Eles decidiram começar o espectáculo
Debaixo do órgão um pequeno saltimbanco vestido de rosa pulmonar
Com peles à volta dos punhos e das ancas
Soltava gritos breves
E fazia saudações afastando gentilmente os antebraços
As mãos abertas

Uma perna para trás pronta para a genuflexão
Ele saudava os quatro pontos cardeais
E quando andava em cima de uma bola
O seu corpo delgado transformava-se numa música tão delicada que ninguém entre os espectadores ficou insensível
Um pequeno espírito desprovido de humanidade
Pensou cada um
E aquela música das formas abafou a do órgão mecânico
Que tocava o homem com o rosto coberto de antepassados

O pequeno acrobata pavoneou-se
Com tanta harmonia
Que o órgão cessou de tocar
E o organista escondeu o rosto entre as mãos
Cujos dedos eram semelhantes aos descendentes do seu destino
Fetos minúsculos que lhe saíam da barba
Novos gritos de Pele-Vermelha
Música angélica das árvores
E a criança desapareceu
Entretanto os saltimbancos elevavam os pesados halteres com os braços esticados
E faziam malabarismos com os pesos

Mas cada espectador procurava em si a criança miraculosa
Século oh século das nuvens


Tradução de Jorge Sousa Braga

FERNANDO PESSOA - RICARDO REIS - A FLOR QUE ÉS...





A flor que és, não a que dás, eu quero.
Por que me negas o que te não peço?
Tempo há para negares
Depois de teres dado.
Flor, sê-me flor! Se te colher avaro
A mão da infausta esfinge, tu perene
Sombra errarás absurda,
Buscando o que não deste.

FERNANDO PESSOA - RICARDO REIS - INGLÓRIA É A VIDA...




Inglória é a vida, e inglório o conhecê-la.
Quantos, se pensam, não se reconhecem
Os que se conheceram!
A cada hora se muda não só a hora
Mas o que se vê nela, e a vida passa
Entre viver e ser.

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - A MANHÃ RAIA






A manhã raia. Não: a manhã não raia.
A manhã é uma coisa abstracta, está, não é uma coisa.
Começamos a ver o sol, a esta hora, aqui.
Se o sol matutino dando nas árvores é belo,
É tão belo se chamarmos à manhã «começarmos a ver o sol»
Como o é se lhe chamarmos a manhã;
Por isso não há vantagem em pôr nomes errados às coisas,
Nem mesmo em lhes pôr nomes alguns.

FERNANDO PESSOA - ÁLVARO DE CAMPOS - QUERO ACABAR ENTRE ROSAS






Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância.
Os crisântemos de depois, desfolhei-os a frio.
Falem pouco, devagar.
Que eu não oiça, sobretudo com o pensamento.
O que quis? Tenho as mãos vazias,
Crispadas flebilmente sobre a colcha longínqua.
O que pensei? Tenho a boca seca, abstracta.
O que vivi? Era tão bom dormir!

CESÁRIO VERDE - MANIAS



O mundo é velha cena ensanguentada,
Coberta de remendos, picaresca;
A vida é chula farsa assobiada,
Ou selvagem tragédia romanesca.

Eu sei um bom rapaz, - hoje uma ossada, -
Que amava certa dama pedantesca,
Perversíssima, esquálida e chagada,
Mas cheia de jactância quixotesca.

Aos domingos a deia já rugosa,
Concedia-lhe o braço, com preguiça,
E o dengue, em atitude receosa,

Na sujeição canina mais submissa,
Levava na tremente mão nervosa,
O livro com que a amante ia ouvir missa!

FERNANDO PESSOA - RICARDO REIS - PRAZER, MAS DEVAGAR






Prazer, mas devagar,
Lídia, que a sorte àqueles não é grata
Que lhe das mãos arrancam.
Furtivos retiremos do horto mundo
Os depredandos pomos.
Não despertemos, onde dorme, a crínis
Que cada gozo trava.
Como um regato, mudos passageiros,
Gozemos escondidos.
A sorte inveja, Lídia. Emudeçamos.

FERNANDO PESSOA - RICARDO REIS - COMO SE CADA BEIJO





Como se cada beijo
Fora de despedida,
Minha Cloe, beijemo-nos, amando.
Talvez que já nos toque
No ombro a mão, que chama
À barca que não vem senão vazia;
E que no mesmo feixe
Ata o que mútuos fomos
E a alheia soma universal da vida.

CESÁRIO VERDE - NUM ÁLBUM







I

És uma tentadora: o teu olhar amável
Contém perfeitamente um poço de maldade,
E o colo que te ondula, o colo inexorável
Não sabe o que é paixão, e ignora o que é bondade.


II

Quando me julgas preso a eróticas cadeias
Radia-te na fronte o céu das alvoradas,
E quando choro então é quando garganteias
As óperas de Verdi e as árias estimadas.


III

Mas hei-de afinal seguir-te a toda a parte,
E um dia quando eu for a sombra dos teus passos,
Tantos crimes terás, que eu hei-de processar-te,
E enfim hás-de morrer na forca dos meus braços.


sábado, 3 de Abril de 2010

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - DIZES-ME: TU ÉS MAIS ALGUMA COISA...





Dizes-me: tu és mais alguma coisa
Que uma pedra ou uma planta.
Dizes-me: sentes, pensas e sabes
Que pensas e sentes.
Então as pedras escrevem versos?
Então as plantas têm ideias sobre o mundo?
Sim: há diferença.
Mas não é a diferença que encontras;
porque o ter consciência não me obriga a ter teorias sobre as coisas:
Só me obriga a ser consciente.

Se sou mais que uma pedra ou uma planta? Não sei.
Sou diferente. Não sei o que é mais ou menos.

Ter consciência é mais que ter cor?
Pode ser e pode não ser.
Sei que é diferente apenas.
Ninguém pode provar que é mais que só diferente.

Sei que a pedra é real, e que a planta existe.
Sei isto porque elas existem.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram.
Sei que sou real também.
Sei isto porque os meus sentidos mo mostram,
Embora com menos clareza que me mostram a pedra e a planta.
Não sei mais nada.

Sim, escrevo versos, e a pedra não escreve versos.
Sim, faço ideias sobre o mundo, e a planta nenhumas.
Mas é que as pedras não são poetas, são pedras;
E as plantas são plantas só, e não pensadores.
Também posso dizer que sou superior a elas por isto,
Como que sou inferior.
Mas não digo isso: digo da pedra, «é uma pedra»,
Digo da planta, «é uma planta»,
Digo de mim, «sou eu».
E não digo mais nada. Que mais há a dizer?

FERNANDO PESSOA - VICENTE GUEDES - POR QUE VIVO, QUEM SOU, O QUE SOU, QUEM ME LEVA?



Por que vivo, quem sou, o que sou, quem me leva?
Que serei para a morte? Para a vida o que sou?!
A morte no mundo é a treva na treva.
Nada posso. Choro, gemo, cerro os olhos e vou.

Cerca-me o mistério, a ilusão e a descrença
Da possibilidade de ser tudo real.
Ó meu pavor de ser, nada há que te vença!
A vida como a morte é tudo o mesmo Mal!

FERNANDO PESSOA - DINIS DA SILVA - EU





Sou louco, e tenho por memória
Uma longínqua e infiel lembrança
De qualquer dita transitória
Que sonhei ter quando criança.

Depois, maligna trajectória
Do meu destino sem esperança,
Perdi, na névoa ou noite inglória,
O sonho e o arco da aliança.

Só guardo como um anel pobre
Que o tê-lo herdado só faz rico,
Um fim perdido que me cobre

Como um céu dossel de mendigo,
Na curva inútil em que fico
Da estrada certa que não sigo.

GUILLAUME APOLLINAIRE - A LINDA RUIVA






Eis-me aqui diante de todos um homem cheio de bom senso
Conhecendo da vida e da morte tudo o que um ser vivo pode conhecer
Tenho experimentado as dores e as alegrias do amor
Tenho sabido algumas vezes impor as suas ideias
Conhecendo várias línguas
Tenho viajado bastante
Visto a guerra na Artilharia e na Infantaria
Tendo sido ferido na cabeça trepanado sob o clorofórmio
Perdido os seus melhores amigos nessa pavorosa luta
Sei do antigo e do novo tanto quanto um só homem pode saber
E sem me inquietar hoje com a guerra
Entre nós e para nós meus amigos
Julgo esta longa querela entre a tradição e a invenção
A Ordem e a Aventura

Vós cuja boca é feita à imagem da boca de Deus
Boca que é a própria ordem
Sede indulgentes quando nos comparais
Aos que foram a perfeição da ordem
Nós que por todo o lado procuramos a aventura
Nós não somos vossos inimigos
Queremos dar-vos vastos e estranhos domínios
Onde o mistério em flor se oferece a quem o quiser colher
Há lá fogos de cores nunca antes vistas
Mil fantasmas imponderáveis
Aos quais é necessário dar realidade

Queremos explorar a bondade país enorme onde tudo se cala
Há ainda o tempo que se pode fazer parar ou retroceder
Piedade para nós que combatemos sempre nas fronteiras
Do ilimitado e do futuro
Piedade para os nossos erros piedade para os nossos pecados

Eis que chega o Verão a estação violenta
E a minha juventude morreu com a Primavera
Oh sol chegou o tempo da razão ardente
E eu espero
Para seguir sempre a forma nobre e doce
Que ela toma para que seja o meu único amor
Ela chega e atrai-me como o íman ao ferro
Ela tem o aspecto sedutor
De uma adorável ruiva

São de oiro os seus cabelos
E é vê-los a brilhar
Ou como essas chamas que nas rosas-chá
Quase murchas não param de dançar

Mas ride ride de mim
Homens de toda a parte sobretudo gente daqui
Porque há tantas coisas que eu não ouso dizer-vos
Tantas coisas que vós não me deixaríeis dizer
Tende piedade de mim


Tradução Jorge Sousa Braga

FERNANDO PESSOA - JOAQUIM MOURA COSTA - A UM PLAGIÁRIO





Copiaste? Fizeste bem?
Copia mais, sem canseira,
Copia, pilha, retém,
É a única maneira
De não escreveres asneira.

FERNANDO PESSOA - ÁLVARO DE CAMPOS - ESTA VELHA ANGÚSTIA






Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar-entre,
Este quase,
Este pode ser que...,
Isto.

Um internado num manicómio é, ao menos, alguém.
Eu sou um internado num manicómio sem manicómio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque são sonhos.
Estou assim...

Pobre velha casa da minha infância perdida!
Quem te diria que eu me desacolhesse tanto!
Que é do teu menino? Está maluco.
Que é de quem dormia sossegado sob o teu tecto provinciano?
Está maluco.
Quem de quem fui? Está maluco. Hoje é quem eu sou.

Se ao menos eu tivesse uma religião qualquer!
Por exemplo, a por aquele manipanso
Que havia lá em casa, lá nessa, trazido de África.
Era feiíssimo, era grotesco,
Mas havia nele a divindade de tudo em que se crê.
Se eu pudesse crer num manipanso qualquer –
Júpiter, Jeová, a Humanidade –
Qualquer serviria,
Pois o que é tudo senão o que pensamos de tudo?

Estala, coração de vidro pintado!

FERNANDO PESSOA - RICARDO REIS - A NADA IMPLORAM TUAS MÃOS...






A nada imploram tuas mãos já coisas,
Nem convencem teus lábios já parados,
No abafo subterrâneo
Da húmida imposta terra.
Só talvez o sorriso com que amavas
Te embalsama remota, e nas memórias
Te ergue qual eras, hoje
Cortiço apodrecido.
E o nome inútil que teu corpo morto
Usou, vivo, na terra, como uma alma,
Não lembra. A ode grava,
Anónimo, um sorriso.

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - NOITE DE S. JOÃO





Noite de S. João para além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - A CRIANÇA QUE PENSA EM FADAS...





A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe,
Sabe como é que as coisas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em um ponto.
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.

sexta-feira, 2 de Abril de 2010

FERNANDO PESSOA - ÁLVARO DE CAMPOS - MAGNIFICAT






Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.
O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?
Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, Quem tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma: será dia!



FERNANDO PESSOA - ÁLVARO DE CAMPOS - O FLORIR DO ENCONTRO CASUAL






O florir do encontro casual
Dos que hão sempre de ficar estranhos...

O único olhar sem interesse recebido no acaso
Da estrangeira rápida...

O olhar de interesse da criança trazida pela mão
Da mãe distraída...

As palavras de episódio trocadas
Com o viajante episódico
Na episódica viagem...

Grandes mágoas de todas as coisas serem bocados...
Caminho sem fim...

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - ESTÁ ALTA NO CÉU A LUA...





Está alta no céu a lua e é primavera.
Penso em ti e dentro de mim estou completo.

Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome e não sou eu: sou feliz.

Amanhã virás, andarás a comigo a colher flores pelos campos,
E eu andarei contigo pelos campos a ver-te colher flores.

Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,
Mas quando vieres amanhã e andares comigo realmente a colher flores,
Isso será uma alegria e uma novidade para mim.

FERNANDO PESSOA - ÁLVARO DE CAMPOS - FARÓIS DISTANTES





Faróis distantes,
De luz subitamente tão acesa,
De noite e ausência tão rapidamente volvida,
Na noite, no convés, que consequências aflitas!
Mágoa última dos despedidos,
Ficção de pensar...

Faróis distantes...
Incerteza da vida...

Voltou crescendo a luz acesa avançadamente,
No acaso do olhar perdido...

Faróis distantes...
A vida de nada serve...
Pensar na vida de nada serve...
Pensar de pensar na vida de nada serve...

Vamos para longe e a luz que vem grande vem menos grande,
Faróis distantes...

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - QUANDO VIER A PRIMAVERA






Quando vier a primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na primavera passada.
A realidade não precisa de mim.

Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma.

Se soubesse que amanhã morria
E a primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã,
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?

Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.

Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - TODOS OS DIAS AGORA ACORDO COM ALEGRIA E PENA





Todos os dias agora acordo com alegria e pena.
Antigamente acordava sem sensação nenhuma; acordava.
Tenho alegria e pena porque perco o que sonho
E posso estar na realidade onde está o que sonho.
Não sei o que hei-de fazer das minhas sensações,
Não sei o que hei-de ser comigo.
Quero que ela me diga qualquer coisa para eu acordar de novo.

Quem ama é diferente de quem é.
É a mesma pessoa sem ninguém.

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - AGORA QUE SINTO AMOR





Agora que sinto amor
Tenho interesse nos perfumes.
Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia.
São coisas que se sabem por fora.
Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.

quinta-feira, 1 de Abril de 2010

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - PASSAR A LIMPO A MATÉRIA





Passar a limpo a Matéria
Repor no seu lugar as coisas que os homens desarrumaram
Por não perceberem para que serviam
Endireitar, como uma boa dona de casa da Realidade,
As cortinas nas janelas da Sensação
E os capachos às portas da Percepção
Varrer os quartos da observação
E limpar o pó das ideias simples...
Eis a minha vida, verso a verso.

FERNANDO PESSOA - ALBERTO CAEIRO - QUANDO TORNAR A VIR A PRIMAVERA





Quando tornar a vir a primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostava agora de poder julgar que a primavera é gente
Para poder supor que ela choraria,
Vendo que perdera o seu único amigo.
Mas a primavera nem sequer é uma coisa:
É uma maneira de dizer.
Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes.
Há novas flores, novas folhas verdes.
Há outros dias suaves.
Nada torna, nada se repete, porque tudo é real.


JOSÉ MARIA ALVES
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FERNANDO PESSOA - ÁLVARO DE CAMPOS - NUNCA, POR MAIS QUE VIAJE...





Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça
O sair de um lugar, o chegar a um lugar, conhecido ou desconhecido,
Perco, ao partir, ao chegar, e na linha móbil que os une,
A sensação de arrepio, o medo do novo, a náusea –
Aquela náusea que é o sentimento que sabe que o corpo tem a alma.
Trinta dias de viagem, três dias de viagem, três horas de viagem –
Sempre a opressão se infiltra no fundo do meu coração.


JOSÉ MARIA ALVES
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